sábado, 30 de janeiro de 2010

A Incoerencia Coerente de um ótimo autor. [II]

Dando minha continuidade ao post de Enim... espero que não se importe com a invasão! xD
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que eu nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
Nessa minha nova covardia [...], que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma ideia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A ideia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?"
(Clarice Lispector - "A Paixão Segundo G.H.", pág. 11/12, parágrafos 3/4)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A incoerencia coerente de um ótimo autor.


"À noite, quando vou para a cama, ainda me esforço para ter certeza de que minhas pernas estejam debaixo dos cobertores quando as luzes se apagam. Não sou mais criança, mas... não gosto de dormir com uma perna para fora. Porque se uma mão fria sair de sob a cama e agarrar meu tornozelo, sou capaz de gritar. Sim, sou capaz de gritar a ponto de acordar os mortos. Esse tipo de coisa não acontece, é claro, todos nós sabemos disso. Nas histórias que se seguem, você vai encontrar todo tipo de criaturas da noite: vampiros, amantes demoníacos, uma coisa que vive dentro do armário, todo tipo de terrores diversos. Nenhum deles é real. A coisa debaixo da minha cama esperando para agarrar meu tornozelo não é real. Sei disso, e também sei que se eu tomar cuidado e ficar sempre com as pernas debaixo da coberta, ela jamais vai conseguir agarrar meu tornozelo."

(Stephen King. - Sombras da Noite - Prefácio - p.12, 1º parágrafo)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Campos dos Goytacazes, 25 de janeiro de 2010

Caros (raros) leitores.
Eu, Enim, estou aqui para lhes dizer o quanta falta sinto de escrever por estas regiões e de como sinto falta de atualizar tanto este blog quando as minhas Histórias. Estas, por sinal, não são escritas aleatoriamente tal como os posts deste, cujo qual tento englobar o sentimental e o banal de todos.
Não dá muito certo.
Sinto-lhes informar que a falta de inspiração para a escrita é grande, por qual agora se encerra parcialmente. Somente. Eis que vos escrevo esta carta para então falar que estou um tanto agonizada com o andamento dos Insanos.
Faltou a insanidade.
Sim, caros (raros) leitores. Os insanos ultimamente se encontram meio sãos. A falta de cor, criatividade, inutilidade, expressão, chat, alegria, melancolia, angústia, paixão, ódio, amor e todo o resto que envolve a insanidade do local está estagnada de tal maneira que torna a leitura de tais...tediosa.
Não creio que lerão esta carta, mas não me custa nada além de alguns minutos, cujos quais poderia apreciar com outras coisas ou até mesmo dormindo, para escrever o que estou achando do antigo animado Insanos.
Preciso de um pouco mais de loucura.
Assim vos descrevo o sentimento que sinto ao ver este estimado blog... parado.
Agradeço por ler esta carta (se é que a leu)
Meus apreços.
Enim

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O tal do 'bem maior'

É muito chato pensar que a gente se sente 'obrigado' a gostar de alguém. E talvez nem se trate disso, porque com tipos assim, é um negócio meio louco, tipo 'a gente odeia porque ama'. Isso aí, a gente tá sempre fazendo ou sentindo coisas ruins porque ama alguém. A gente bate em alguém porque ama, xinga alguém porque ama, briga com alguém porque ama, isso porque a gente quer o bem de quem ama.
Mas será que queremos realmente bem? O que é querer o bem dela? Permitir que ela viva para que continue com o seu pesadelo de cada dia, suas doenças de cada dia, a cada dia dizer 'eu não estou louca!', sendo que ela REALMENTE não sabe mais o que diz, e tendo que nos explicar, que já fizemos isso ou aquilo e que não, não estamos querendo matá-la nem deixá-la louca.
De que serve esse cuidado todo? Porque a amamos. Mas amar não é querer o bem de alguém? E é ESSE o bem, essa vida acabada e cheia de dor e suspeita?
Não imaginam o medo com o que escrevo isso. Me arrependerei de escrevê-lo, eu acho. Mas é a verdade, e a verdade dói, não é mesmo? A verdade não tem consequências ruins, só a mentira. E o que eu estou dizendo é verdade. Só o que estamos vivendo [ou mantendo] é que é mentira, uma mentira a favor do amor que sentimos. Porque é para o bem dela. E para o bem da nossa consciência, é claro.


"...Ia só andando, aceitando o pior, como um gesto do destino, como uma necessidade da obra humana, e foi então que a Esperança, para combater o Terror, me segredou ao coração, não essas palavras, pois nada articulou parecido com palavras, mas uma ideia que poderia ser traduzida por elas:
"mamãe defunta, acaba o seminário"
[...]
Foi uma sugestão da luxúria e do egoísmo. A piedade filial desmaiou um instante, com a perspectiva da liberdade certa, pelo desaparecimento da dívida e do devedor; foi um instante, menos que um instante, o centésimo de um instante, ainda assim o suficiente para complicar a minha aflição com um remorso"
trecho do livro "Dom Casmurro", de Machado de Assis - pág. 97, cap. 67

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Novo Ano

1º post de 2010, somente.

Precisávamos de posts assim sem noção e de aviso novamente, este blog, antes bagunçado, agora está me parecendo sério demais. o.o